segunda-feira, 16 de abril de 2018

RESUMO: Causa principal do conflito na Síria

A CAUSA DO CONFLITO:


1 - A Síria pertencia ao antigo Império Turco até a 1ª Guerra Mundial (1914-1918) mas
com a derrota deste e seus aliados (Impérios Austro-Húngaro e Alemão), seu território
foi todo dividido e a Síria ficou sob influência da França na forma de um mandato até
1936. Sua independência de fato só viria mais tarde. Em 1956, com a Crise do Canal de
Suez no Egito, a Síria se aliou e este e à URSS e, atualmente, é aliada de sua herdeira
natural que é a Rússia e mais recentemente da China que também tem interesses no
conflito. Ela faz parte juntamente com Iraque, Irã, Hezbollah e Hamas do chamado
crescente xiita no Oriente Médio (o segundo maior ramo do islamismo liderado pelo Irã).
Em 1971 a família Assad tomou o poder na Síria e está até hoje comandando o país (do
ramo dos xiitas).


2 - A Síria tem poucas reservas de O&G em seu território, mas, sua localização é vital para
o transporte destas fontes do Oriente Médio para a Europa uma vez que uma das
questões cruciais para esta é a diminuição de sua dependência em relação ao
fornecimento da Rússia. Ela é inimiga de primeira hora de Israel e se opõem as políticas
dos EUA para o Oriente Médio. Por sua vez, Israel que é dependente energeticamente,
também precisa reduzir sua vulnerabilidade nesta área.


3 - Síria, Iraque e Irã firmaram acordo em 2011 para construir o Gasoduto Islâmico a fim
de trazer gás de Pars Sul (maior campo de gás do mundo pertencente ao Irã partilhado
com o Qatar - por isso sua mudança de posição ao longo conflito) para Europa vindo do
Irã, passando pelo Iraque, Síria, Líbano e Mediterrâneo, cuja previsão era ficar pronto
em 2016, acordo que contava com apoio da Rússia. O objetivo era a monetização de seu
gás uma vez que, embora o Irã tenha a maior reserva de gás do mundo1 (18% do total
com 33,5 bilhões m3), sua exportação é ínfima em relação ás suas reservas devido às
disputas geopolíticas travadas com os EUA e seus aliados como Israel e sobretudo com
a potência rival regional, Arábia Saudita que lidera o maior ramo do islamismo, os
sunitas.


4 - Por outro lado, com o patrocínio dos EUA havia uma alternativa que seria o Gasoduto
Qatar–Turquia para trazer gás do Campo Norte do Qatar (compartilhado com Irã e
contiguo ao Pars Sul) para Europa vindo do Qatar, passando pela Arábia Saudita,
Jordânia, Síria, conectado ao Gasoduto Nabucco (na Turquia que também veio mudando
de posição ao longo conflito e Áustria). Este gasoduto inviabilizaria o Islâmico
provocando uma verdadeira “Guerra dos Gasodutos” Ocidental x Oriental sendo a
principal causa geopolítica do conflito. Veja o mapa em anexo para entender os traçados
dos gasodutos.


5 - Em 2013 foram confirmadas quantidade significativas de O&G nas Colinas do Golã que
pertenciam a Síria mas ainda são ocupadas por Israel desde a Guerra dos Seis Dias (1967).
Em 2015 Israel solicitou a anexação das Colinas de Golã alegando o esfacelamento do
Estado sírio pois com isso se beneficiaria deste potencial energético, reduzindo sua
dependência como a Europa.


6 - Numa improvável aproximação geopolítica entre Turquia (que pertence à OTAN e
busca sem sucesso sua entrada na UE há muito tempo, além suas pretensões de se
tornar um grande hub no fornecimento de gás entre Ásia e Europa) e Rússia, que até
então estavam em pólos opostos no conflito, em dez/2014 foi anunciada a construção
do Gasoduto Turco com capacidade de 31,5 bilhões m3/ano (metade para consumo
turco e o restante enviado para Europa) e orçado em US$ 12,7 bilhões. Seu trajeto será
da Rússia passando pelo Mar Negro, Turquia até a Grécia – veja mapa abaixo e o
respectivo projeto2. Apesar dos desentendimentos devido ao avião russo abatido no
espaço aéreo turco em 2015, no ano seguinte o projeto foi retomado e a previsão é ficar
pronto até 2020. Tal medida visou pressionar a UE com relação às pretensões turcas.


7-Assim, hoje por total desinformação da mídia, o conflito é “vendido” ao público em
geral como “a luta dos EUA e seus aliados para derrubar o regime ditatorial de Bashar
al-Assad”. Na verdade, há um pano de fundo geopolítico bem definido que é a “guerra
dos gasodutos” (países envolvidos são exportadores e estão em projetos disputando o
mercado europeu, buscando acesso via território sírio) para reduzir a dependência
europeia e também a redução da dependência energética de Israel. O que os rebeldes
querem na Síria é forçar sua integração com os objetivos estratégicos energéticos do
ocidente ou substituí-lo por aliados mais confiáveis. Isto é que você não lê em nenhum
jornal!

Guerra dos Gasodutos na Síria: Islâmico X Qatar-Turquia














Projeto do Gasoduto Turco (Da Rússia para Grécia)
Fonte: Comunidade de Geopolítica de Petróleo e Energia da...



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